segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
A gente nunca sabe qual vai ser a última vez que as coisas estarão "normais". Qual será - ou foi!!!!!! - o último almoço com aquela pessoa querida, o último pôr do sol laranja, a última maçã do amor, o último beijo, a última vez que ouvimos aquela música, a última vez que estamos naquele lugar, a última vez que passamos por aquela rua, a última vez que vemos um amigo, a última vez que nossos pais sorriram. A vida passa e a gente nem vê. O jeito é passar a olhar, então. E a agradecer.
quarta-feira, 22 de novembro de 2017
Eu, Ana, decido que a partir de hoje terei muito sucesso. Decido também que minha família vai encontrar a paz e vai aprender a conviver com harmonia. Decido que eles não passarão mais por dificuldades financeiras, e que sempre estarão lá um para o outro. Decido que meu irmão querido, Brenno Leandro Medeiros, vai ser uma criança, um rapaz e um homem muito saudável, e vai enxergar muito bem. Além disso decido que ele vai fazer de suas fraquezas sua força e que vai aprender com os problemas que passou/vai passar, e vai se tornar uma pessoa muito forte, resiliente e feliz. Decido que o Brenno nunca irá se sentir sozinho, pois saberá que sempre estarei presente e pronta para ajudar no que precisar. Decido que vou vê-lo com mais frequência, que poderei ensina-lo tudo que sei. Decido que poderei oferecer uma vida confortável para meus familiares, e que meu padrasto querido, Demostenes Medeiros, mais conhecido como Batata, terá uma aposentaria tranquila e feliz e poderá aproveitar muito os últimos 40 anos de sua vida. Decido que ele irá superar minha mãe, Erita Carla Lazarin, e irá ser feliz no amor novamente. Além disso, também decido que minha mãe, Erita Carla Lazarin, nunca mais irá se envolver com quem faça mal a ela. Ela irá encontrar o amor também, e será com alguém especial, gentil, carinhoso e que a ame muito. Também decido que minha mãe vai resolver todos os problemas que a afligem, e vai se livrar de sua depressão e outros problemas emocionais, e vai se desenvolver muito como pessoa e como profissional. Decido que um dia - em breve - ela vai se sentir forte, inteligente, linda e muito feliz, e continuará se sentindo assim até o último de seus dias. Decido que meu irmão, John Willian Medeiros, irá perdoa-la e encontrar um caminho cheio de paz, amor e fé para sua vida, sem odiar mulheres, homossexuais, ateus ou qualquer outra minoria. Decido que meu irmão, Victor Eduardo Medeiros, irá se desenvolver profissionalmente e pessoalmente e irá alcançar muito sucesso, como médico, engenheiro ou qualquer outra profissão que ele decida seguir. Decido que meus primos ficarão bem. Decido que minhas tias serão felizes. Decido que a doença, a escassez e o desespero não farão mais parte da minha vida ou da vida da minha família. Hoje eu decidi, e assim será a partir de hoje. Decido que alcançarei esses objetivos em 3 meses, até o dia 22/02, e que completarei 26 anos sabendo que todos estão felizes e encaminhados para o sucesso e para a paz. Decido que além dessa data as coisas continuarão da mesma forma, com tudo o que eu decidi hoje perdurando. Eu decidi e assim será!
sábado, 21 de outubro de 2017
Objetivos ate 31/12
Falar mais frances
Chegar nos 67kg
Terminar bem o semestre
Não ter vergonha de ser quem eu sou
Objetivos cumpridos e mudanças desde janeiro:
Mudei dos 77 para os 69kg
Passei a fazer exercício
Fui bem na faculdade
Aprendi a ser grata
Me aproximei da minha espiritualidade
Enfrentei meus medos
Comecei aulas de dança e encontrei um espaço seguro lá (BDNT <3)
Fui forte sozinha
Não sabotei o meu relacionamento
Me reaproximei da minha família
Fiz amigas e abri a possibilidade de fazer outras amigas
Aprendi bastante espanhol
Me sustentei sozinha
Aprendi a ter mais auto-controle
Decidi fazer o que me faz feliz independente do que os outros vão achar
Aceitei que sou bissexual
Aceitei que tenho muita ansiedade - e procurei formas para lidar com isso
Me impus
Me afastei de pessoas que não queriam o meu bem
Decidi terminar a faculdade
Fiz planos profissionais para o futuro
Me arrisquei
Decidi que economizar deve ser uma prioridade (mesmo que não tenha conseguido economizar ainda)
Não fugi (tanto) de confronto
Não me preocupei tanto com a segunda-feira durante o fim de semana
Decidi ser feliz
sábado, 2 de setembro de 2017
Sábado 10:56PM. Sozinha em casa, falando sozinha no Twitter, várias mensagens enviadas - sem resposta. Eu estava indo bem, caminhando confiante, certa de que lidaria bem com qualquer coisa - até mesmo sábado à noite sozinha em casa falando sozinha no Twitter ficando no vácuo, ou qualquer outra coisa, you name it. Mas nas horas mais calmas da noite, quando as ruas começam a ficar mais calmas e o episódio de Ru Paul`s Drag Race acaba, e eu olho ao redor e não vejo ninguém, a solidão chega.
Como uma brisa que tento ignorar porque estou não estou vestida adequadamente e não há o que fazer além de tentar ignora-la, ela chega e vai crescendo até ser a única coisa que consigo pensar e sentir. Não é possível ignorar esse ar gélido e a cada segundo que passa sinto que não vou mais aguentar. Tento manter a positividade, fazer uma lista de realizações recentes, sonhos possíveis, amigos presentes e coisas boas, mas a caixinha de Tudo O Que Há De Bom está vazia e a brisa gelada enche minha barriga.
Respiro fundo, mexo os músculos do rosto para que relaxem da posição decepcionada, olho meu celular esperando ver algo bom e não vejo novas notificações. Sinto vontade de conversar com alguém e estou sozinha. Lembro que em alguns momentos difíceis da minha vida, algumas redes sociais me fizeram companhia.
Abro o Twitter, Tumblr, Instagram, Facebook, Pinterest. Tenho ânsia por um abraço digital, compreensão, companhia, mas a cada página vejo amigos seguindo suas vidas sem mim, conhecidos que poderiam ser amigos mas não se importam tanto comigo, pessoas divertidas, bonitas e engraçadas que quando olham pra mim não veem alguém interessante. Fotos e vídeos de comidas, bebidas, lugares, pessoas bonitas... coisas que não tenho.
O ar fica mais tenso e gelado. A cada segundo fica mais difícil respirar. Imagino como seria me ver de cima, como um fantasma ou uma mosca, deitada na cama com o notebook no colo, sentindo pena de si mesma, sem ver solução, perdida. Sem dinheiro, gorda, feia, desinteressante, burra, preguiçosa, sem amigos. Sozinha.
Desisto de pensar a respeito. Vou dormir e amanhã eu vou carregar um casaco, mesmo que minhas previsões sejam de sol.
Como uma brisa que tento ignorar porque estou não estou vestida adequadamente e não há o que fazer além de tentar ignora-la, ela chega e vai crescendo até ser a única coisa que consigo pensar e sentir. Não é possível ignorar esse ar gélido e a cada segundo que passa sinto que não vou mais aguentar. Tento manter a positividade, fazer uma lista de realizações recentes, sonhos possíveis, amigos presentes e coisas boas, mas a caixinha de Tudo O Que Há De Bom está vazia e a brisa gelada enche minha barriga.
Respiro fundo, mexo os músculos do rosto para que relaxem da posição decepcionada, olho meu celular esperando ver algo bom e não vejo novas notificações. Sinto vontade de conversar com alguém e estou sozinha. Lembro que em alguns momentos difíceis da minha vida, algumas redes sociais me fizeram companhia.
Abro o Twitter, Tumblr, Instagram, Facebook, Pinterest. Tenho ânsia por um abraço digital, compreensão, companhia, mas a cada página vejo amigos seguindo suas vidas sem mim, conhecidos que poderiam ser amigos mas não se importam tanto comigo, pessoas divertidas, bonitas e engraçadas que quando olham pra mim não veem alguém interessante. Fotos e vídeos de comidas, bebidas, lugares, pessoas bonitas... coisas que não tenho.
O ar fica mais tenso e gelado. A cada segundo fica mais difícil respirar. Imagino como seria me ver de cima, como um fantasma ou uma mosca, deitada na cama com o notebook no colo, sentindo pena de si mesma, sem ver solução, perdida. Sem dinheiro, gorda, feia, desinteressante, burra, preguiçosa, sem amigos. Sozinha.
Desisto de pensar a respeito. Vou dormir e amanhã eu vou carregar um casaco, mesmo que minhas previsões sejam de sol.
domingo, 23 de julho de 2017
Como uma miragem que aparecia no horizonte, Ana aguardava os finais de semana. As semanas eram cansativas e estressantes e era reconfortante para Ana pensar no fim de semana, pois no fim de semana a conta zerava, o mundo parava, os problemas mudavam. No fim de semana era possível refletir, rezar, meditar e dormir. Sentir-se livre.
O fim de semana chegava, primeiro sábado, depois domingo, como há de ser desde que os finais de semana foram criados, e a segunda-feira chegava de novo. A conta continuava aumentando, o mundo continuava girando e os problemas eram os mesmos. Ana não aguentava mais. A única coisa que a mantinha sã era pensar nos finais de semana. Era isso o que Ana fazia.
Mas lá no fundo sempre tinha uma voz que ousava dizer bem baixinho: "Calendários e relógios não existiam quando esse mundo foi criado e são usados para controlar e reprimir as pessoas com o objetivo de que se enquadrem em uma sociedade capitalista que não se preocupa com a saúde física ou mental das pessoas contanto que você produza e seja uma pessoa útil! Calendários e relógios são apenas ferramentas para manter o gado tranquilo no corredor do abatedouro, pois assim sabem que dia é e que horas são. Mas calma, é quase sexta-feira de novo e o quinto dia útil está logo aí também!"
O fim de semana chegava, primeiro sábado, depois domingo, como há de ser desde que os finais de semana foram criados, e a segunda-feira chegava de novo. A conta continuava aumentando, o mundo continuava girando e os problemas eram os mesmos. Ana não aguentava mais. A única coisa que a mantinha sã era pensar nos finais de semana. Era isso o que Ana fazia.
Mas lá no fundo sempre tinha uma voz que ousava dizer bem baixinho: "Calendários e relógios não existiam quando esse mundo foi criado e são usados para controlar e reprimir as pessoas com o objetivo de que se enquadrem em uma sociedade capitalista que não se preocupa com a saúde física ou mental das pessoas contanto que você produza e seja uma pessoa útil! Calendários e relógios são apenas ferramentas para manter o gado tranquilo no corredor do abatedouro, pois assim sabem que dia é e que horas são. Mas calma, é quase sexta-feira de novo e o quinto dia útil está logo aí também!"
segunda-feira, 15 de maio de 2017
Nós estávamos sentados na praia, estava escuro, ventava muito e eu sentia como se fossemos as unicas pessoas no mundo. Bebi mais um gole de cerveja enquanto você tentava acender o baseado, e eu ria das suas tentativas falhas. Tentei acender também, até meu dedo doer por causa do atrito com o isqueiro. Você enfiou seu dedo na boa e tirou como meus irmãos faziam quando éramos crianças para saber em que direção estava o vento, para poder soltar pipa. Viramos de costas para o vento e fumamos, conversando sobre qualquer besteira, como a gente sempre faz. Pensei em como é bom ter você do meu lado, ser sua amiga, porque posso ser quem realmente sou quando estou com você. Eu posso ser odiosa ou adorável, contanto que essa seja eu, e você me aceita, porque eu faço parte da sua vida, assim como você faz parte da minha. Ventava muito, e meus cabelos voavam para todos os lados. Nos beijávamos, e quase engolíamos meus cabelos, e ríamos. Não lembro sobre o que conversamos nesse momento, mas tenho certeza de que eu não conversaria do mesmo jeito ou sobre a mesma coisa com mais ninguém. Me lembrei das vezes em que estive ali sozinha ou com outras pessoas, antes de te conhecer e depois de ter te conhecido, enquanto não nos conhecíamos tão bem. Lembro de uma noite que a aula estava chata demais pra suportar, ou talvez fosse eu que já estivesse de saco cheio e completamente saturada com a minha vida do jeito que ela estava, que tive que sair da sala de aula só pra não ter um ataque de desespero. Saí da sala com as minhas coisas, e devem ter achado que eu tinha algo pra fazer, ou alguém pra ver, mas na verdade eu só precisava sair dali, de mim, e fui dar uma volta. Sair da sala é algo fácil e possível, mas eu precisava sair de toda a minha existência, porque eu sentia que tudo estava errado. Andei por ruas que não conhecia, li um pouco e acabei na praia. Tirei as sapatilhas e sentei olhando o mar. Naquela noite eu só pensei em solidão e dor. Mas com você, eu só pensava em um futuro bom.
2011
Janeiro, sorrio numa barca em alto mar voltando de Superagui cantarolando Novos Baianos.
Fevereiro, choro mandando mensagem pra Carlota porque nada em 2010 foi como eu esperava e enquanto todo mundo estava com o futuro garantido eu teria que prestar vestibular. De novo.
Março, percebo que não tenho trabalho, namorado, dinheiro e não faço faculdade como a maioria das pessoas da minha idade. Completo 19 anos. Decido tirar a habilitação. Faço minha primeira tatuagem.
Abril, faço minha inscrição no vestibular da Universidade Federal do Paraná para o curso de Serviço Social e decido que vou estudar. Não estudo.
Maio, faço a prova do vestibular e tiro nota inferior à do ano passado. Choro porque acredito que não vou passar.
Junho, sou convocada para a segunda fase e choro de alívio. Faço a prova com 5 redações e choro porque só escrevi besteira.
Julho, o resultado do vestibular é divulgado e choro de alívio por ter passado. Mas fiquei feliz sozinha. Ninguém compartilha esse momento comigo. Meu irmãozinho completa 2 aninhos.
Agosto, começam as aulas. Acredito que minha vida vai melhorar e tudo será um mar de rosas. Greve na universidade. Pessoas ignorantes recebendo aplausos. Universitários exclamando que se os técnicos estão com problemas o problema é deles e que querem aula.
Setembro, viajo com a universidade para Porto Alegre e conheço a Umáyra. Decido que um dia irei morar lá. Percebo que ser feliz ou não é só uma questão de onde estou e com quem. Fui feliz lá. (Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.)
Outubro, passo no exame prático de moto e me sinto aliviada. Faço algumas amizades. Finalmente aprendo a jogar sinuca.
Novembro, choro de desespero porque o ano o ano está acabando, estou indo mal na universidade, não tenho dinheiro, não tenho trabalho, não tenho namorado, o exame prático de carro é amanhã e não lembro como faz baliza, não li os livros que queria, não assisti todos os filmes que queria, fui pouco ao teatro, viajei de menos, reclamei demais e não tem suco na geladeira.
Maio, faço a prova do vestibular e tiro nota inferior à do ano passado. Choro porque acredito que não vou passar.
Junho, sou convocada para a segunda fase e choro de alívio. Faço a prova com 5 redações e choro porque só escrevi besteira.
Julho, o resultado do vestibular é divulgado e choro de alívio por ter passado. Mas fiquei feliz sozinha. Ninguém compartilha esse momento comigo. Meu irmãozinho completa 2 aninhos.
Agosto, começam as aulas. Acredito que minha vida vai melhorar e tudo será um mar de rosas. Greve na universidade. Pessoas ignorantes recebendo aplausos. Universitários exclamando que se os técnicos estão com problemas o problema é deles e que querem aula.
Setembro, viajo com a universidade para Porto Alegre e conheço a Umáyra. Decido que um dia irei morar lá. Percebo que ser feliz ou não é só uma questão de onde estou e com quem. Fui feliz lá. (Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.)
Outubro, passo no exame prático de moto e me sinto aliviada. Faço algumas amizades. Finalmente aprendo a jogar sinuca.
Novembro, choro de desespero porque o ano o ano está acabando, estou indo mal na universidade, não tenho dinheiro, não tenho trabalho, não tenho namorado, o exame prático de carro é amanhã e não lembro como faz baliza, não li os livros que queria, não assisti todos os filmes que queria, fui pouco ao teatro, viajei de menos, reclamei demais e não tem suco na geladeira.
Dezembro, sorrio numa barca em alto mar indo para Superagui cantarolando uma música agradável. Pouso para uma foto na praia. Fico bêbada quase todos os dias. Acordo ouvindo o canto dos pássaros. Sinto um aperto aqui dentro porque mais um ano vai embora e outro vem. Choro porque a Carlota vai embora, choro porque não fiz as coisas que deveria ter feito. Lembro que na mesma época disse na fogueira pro Dani que não consegui nada do que queria em 2010 e que o ano de nada me valeu e então ele disse que conquistei muitas coisas, mas não as que queria e que os planos sempre mudam. Desejo feliz 2012 para desconhecidos, deito na areia da praia, olho as estrelas e sinto como se meu peito fosse explodir de tanto amor.
Te trouxe flores, mas você acha que elas não vão florescer como floresceram no ano passado, não é? Tudo mudou. Eu sou tão idiota. Não sei por que continuo tentando. Não sei se é por amor, medo de ficar sozinho ou apenas... por hábito. Isso é tão ridículo. Eu sou ridículo. Acho que tudo é ridículo. Mais nada faz sentido. Não sei se um dia fez. De repente tudo ficou tão podre e sem sentido. Sabe, antes de você aparecer com seus cabelos castanhos ao vento, seu sorriso com os lábios cheios pintados com batom rosa que eu nunca tinha achado atraente mas em você ficava tão lindo, e seus dentes brancos, eu me sentia perdido. Mas nunca perdido assim. Antes eu tinha esperança de que as coisas mudariam, melhorariam, de que eu conseguiria encontrar meu caminho, encontrar um emprego que gosto, poder pagar o aluguel e comprar cadeiras de jardim pra colocar na sacada e até comprar umas flores de vez em quando sem sentir que eu estava num emprego de merda pra poder pagar continuar sobrevivendo uma vida de merda, sabe? Eu teria alguma felicidade. Encontraria alguém. As noites de segunda-feira seriam as noites de heineken e pizza, para podermos encontrar alguma felicidade mesmo no início da semana. Eu teria amigos melhores. Talvez eu até viajasse. E conseguisse transformar a massa mole em minha barriga num tanquinho. Sei lá, era uma vida sem nada especial, mas eu tinha esperança, objetivos, sonhos, se é que posso chamar finalmente ter um corpo digno de capa de revista um sonho. Era idiotice, é claro, mas eu estava bem na minha bolha. Eu tinha boas lembranças da minha infância. Me sentir seguro enquanto meu pai me carregava até minha cama depois de eu ficar até tarde assistindo TV e acabar pegando no sono... Minhas festas de aniversário... Os almoços que minha mãe fazia... O cheiro do cabelo dela... A felicidade quando ela chegava em casa do trabalho. Antes eu tinha todas essas lembranças boas e outras mais. Agora, depois de toda essa merda, só consigo pensar em como meus pais deviam estar se sentindo naquela época. Ser adulto é difícil. E eles eram pessoas que haviam acabado de deixar de serem crianças para cuidar de outra. Eles tinham que levantar cedo dia após dia para ir trabalhar em empregos de merda para termos um teto e comida na mesa. Ter pago por aquelas festas deve ter sido difícil. Minha mãe sempre queria uma máquina de lavar roupa boa. Mas ela sabia que não podia comprar. Mesmo assim, eles faziam o que podiam e até o que não podiam e me davam festas de aniversário. É algo doce, pensando nisso. É algo que devia me fazer sentir triste, mas também agradecido. Eu devia me sentir sortudo. Mas só fica essa tristeza no meu peito, sabe? Eu era mal educado, às vezes. Eu falei algumas coisas das quais não me orgulho. E isso me dá vontade de chorar. Você consegue imaginar? Meus pais abriram mão de tudo que tinham e podiam fazer pra me sustentar, aí eu cresço e respondo minha mãe porque ela não me deixou sair com meus colegas da escola porque era perigoso. Quando penso na minha vida, eu só vejo cinza, sinto um aperto no meu peito e lágrimas nos meus olhos. Quando eu te vi do lado de fora daquele bar, eu sabia que tinha que falar com você. Talvez aquela noite fosse a noite em que tudo fosse começar, quem sabe? A minha vida de verdade, minhas aventuras, minha felicidade, afinal. Seus cabelos estavam voando em volta da sua cabeça por causa do vento e você tentava acender um cigarro. E quando eu vi a estampa da sua camiseta, eu simplesmente soube que precisava falar com você. E quando eu fui perguntar se você tinha um cigarro, mesmo sem fumar, mesmo odiando cigarros, mesmo sabendo que todo mundo que fuma do lado de fora dos bares odeia quando alguém, principalmente um estranho, vai pedir um cigarro, eu senti seu perfume e logo pensei em flores. Flores lindas, coloridas, brancas, altas, baixas, muitas. E quando você sorriu, foi como se o mundo se abrisse pra mim e pela primeira vez eu pudesse ver como as coisas realmente eram. Eu sentia uma luz erradiando de você, luzes bonitas, que meio que diziam "ei, essa menina aqui é especial, você devia perguntar a ela o que ela pensa sobre estrelas, filosofia, religião, viagens, livros e coisas bonitas" e aquelas eram as minhas coisas favoritas para conversar a respeito. E quando você falou e eu ouvi seu sotaque e sua voz, eu fui enfentiçado. Eu queria saber na mesma hora de onde você vinha pra eu pegar um avião pra lá e deitar numa cama cheia de flores como você. Muita coisa aconteceu depois daquela noite, você sabe. Acho que foram os dois anos mais felizes da minha vida. Depois ficou só esse amargo, essa vida podre, essa nuvem preta que me segue onde quer que eu vá. Eu fico tentando entender, sabe? Não fez sentido nenhum. Por que aquela noite, por que ele, por que daquele jeito? Você me quebrou. Eu nunca mais vou funcionar direito... que nem as flores. Elas nunca mais vão florescer como floresciam antes. Eu vejo isso agora.
domingo, 8 de dezembro de 2013
Mais um passo, Ana, só mais um passo, depois mais outro e depois mais uns mil. A cada passo que eu dava eu gemia de dor. Não achava que existisse algo mais sólido que o chão mas meu par de botas me provaram errada. Não que fosse um par de botas extremamente desconfortável, desses que cortam os dedinhos e dão bolhas; o problema é que essas botas não são exatamente sapatos de caminhar, correr, pular e escalar montanhas e eu calçara as botas há quatro horas e caminhava non-stop e rápido pela última hora.
A última hora fora uma piada de mal gosto. Eu e meu namorado, Clément, estávamos tentando encontrar um amigo no centro da cidade. Nico, nosso amigo, além de não conhecer a cidade e não saber das as informações corretas para podermos encontrá-lo, estava a) podre de bêbado b) sem conseguir pronunciar os nomes das ruas c) pedindo desculpas o tempo todo d) SE MOVENDO. Eu estava puta da vida porque se você tá podre de bêbado e quer encontrar seus amigos e consegue dizer para eles por telefone que está na praça tal e seus amigos sabem onde fica e estão perto (depois de terem andando pra caralho pra chegar até o bairro), você espera na praça. Mas não.
O tempo todo o telefone do Clément tocava e eu o ouvia perguntando em francês "mas vocês estão onde? indo pra onde? você sabe me dizer o nome da rua? tounette? fournette? journette? xounette?" e por aí vai. Clément não é a pessoa mais paciente do mundo, mas ele estava lidando bem com a situação. Eu queria gritar de frustração e pedir pra ir embora, mas eu achava que o Clément queria mesmo encontrar o Nico, afinal, já andamos tanto, eu não via ele já fazia dois anos, poderia ser legal, não custava nada tentar mais um pouco, o metrô já havia parado de funcionar então não tinha motivos para ter pressa e blá blá blá.
Depois de mais uma ligação e perceber que o Clément falava com pessoas diferentes porque um estava mais bêbado que o outro para explicar onde eles estavam, apesar do meu mau francês percebi que o ele combinava com uma menina na outra linha que eles esperariam nós chegarmos na rua X para então ir procurar um bar. Finalmente. Lá vamos nós e mais uma epopéia se inicia. Procuramos um mapa, pedimos informações, andamos e chegamos à rua correta. E nada deles lá. Clément liga para o número do Nico e fala com outra menina, também bêbada, e eles dão o nome de uma rua pela qual eles estão passando, pois estão se movendo. Cerro meus dentes e olho para o Clément com meu melhor olhar de que porra é essa. Assim que a ligação termina, eu digo que estou de saco cheio e quero voltar pra casa.
Fazia meia hora que estávamos caminhando desde que decidimos voltar para casa e não conseguíamos encontrar bicicletas. Pior, conseguíamos encontrar as bicicletas mas quando tentávamos aluga-las o sistema não reconhecia que elas estavam lá mesmo se elas claramente estavam. Íamos andando de estação em estação encontrando bicicleta nenhuma ou bicicletas invisíveis no sistema. Eu não aguentava mais caminhar e tínhamos ainda uns bons 30 minutos pela frente. Reclamei muito de dor nos pés e então fiquei em silêncio, por estar cansada, frustrada, com dor, com sono.
Meu namorado odeia minhas reclamações mas quando chega ao ponto de eu parar de reclamar por causa do problema pelo qual estava reclamando, ele fica preocupado e tenta resolver o problema, me distrair, me fazer rir ou, na pior das hipóteses, respirar sem fazer barulho pra não dar motivos pra eu me irritar.. Pediu pra eu esperar numa esquina enquanto ele corria até uma quadra fora do nosso caminho para ver se tinha alguma bicicleta disponível na estação que tinha lá, perguntou várias vezes se eu não queria que ele me carregasse um pouco e insistiu que ele conseguiria e que não tinha problema nenhum quando eu recusei agradecendo.
Cada passo é o inferno na terra mas de alguma maneira chegamos à estação de metrô Charpennes ilesos e batendo papo. Paramos no Mc Donald's, sento em uma das mesinhas com a sujeira que tenho certeza que foram jovens bêbados que fizeram enquanto ele fica na fila atrás dos bêbados esperando para pedir dois hambúgers numa madrugada fria de um sábado a noite em dezembro. Viro e olho pra ele, que eu conheço tão bem e amo tanto e ele me manda um beijo.
Um cara mal encarado passa por mim e pergunta se eu tenho seda para fumar, não entendo o que ele fala mas percebo o que ele quer pelo movimento que ele faz com as mãos, como se estivesse bolando um baseado. Digo que não, peço desculpas e logo depois o Clément senta do meu lado com o pacotinho do Mc Donald's. Abro, pego meu hamburger e começo a comer mais rápido que um mendigo esfomeado faria.
- Muito obrigada pelo hamburger, meu herói - digo com a boca cheia.
- De nada, ele responde rindo.
Comemos e tentamos pegar bicicletas novamente, mesmo estando perto de casa. Na primeira estação pegamos uma bicicleta mas o pneu está muito vazio e não seria possível andar com ela, vamos até a segunda levando a bicicleta, devolvemos, pegamos outra, notamos que não tem um dos pedais, devolvemos e na hora de pegar outra o ticket que acabamos de comprar não funciona. É a quinta, talvez sexta estação de bicicleta que tentamos, a noite nunca havia sido tão longa, estamos cansados, com sono, com dor nas pernas e - principalmente, oh deus - nos pés e a porra do ticket não funciona. O Clément tenta mais uma vez, com o pulso cerrado e mais uma vez o monitor nos acusa, ri de nós, se diverte às nossas custas.
O Clément grita, amassa o ticket, dá dois socos no monitor e um chute no pneu de uma das bicicletas.
Ele não é do tipo violento, mas às vezes se irrita com alguma coisa - a internet falhando quando ele tá tentando assistir ao jogo dele pela internet, por exemplo - e acaba fazendo alguma coisa não inteligente para extravasar a raiva - pegar uma cadeira e jogar na parede, por exemplo. Quando isso acontece eu fico meio apreensiva, sem saber o que fazer. Mas geralmente me dá uma vontade incontrolável de rir, o que acaba piorando a situação.
- Esses filhos da puta! A gente paga por um serviço e acaba nem conseguido a merda pela qual a gente acabou de pagar. Será que não dá pra fazerem uma coisa direito?! - ele pergunta não gritando mas também não falando com seu tom normal, sem raiva. Ele está claramente puto e de alguma forma é engraçado e sexy. Me da vontade de rir e abraça-lo falando tudo bem, tudo bem, já passou.
Após comprar outro ticket podemos finalmente pegar uma bicicleta e voltamos pra casa, eu andando de bicicleta e ele andando. Por uma ação dos anjos aos acharem que já haviamos tomado no cu o suficiente naquela noite, havia um lugar para devolver a bicicleta na estação de velo-v. Pelo menos isso, pensamos os dois. Se não houvesse lugar naquela estação teríamos que andar até outra, nos distanciando de casa e talvez não tivesse lugar nessa outra estação também e eu não queria nem pensar nisso e já que encontramos lugar na estação na esquina de casa, graças a deus eu não precisava.
A última hora fora uma piada de mal gosto. Eu e meu namorado, Clément, estávamos tentando encontrar um amigo no centro da cidade. Nico, nosso amigo, além de não conhecer a cidade e não saber das as informações corretas para podermos encontrá-lo, estava a) podre de bêbado b) sem conseguir pronunciar os nomes das ruas c) pedindo desculpas o tempo todo d) SE MOVENDO. Eu estava puta da vida porque se você tá podre de bêbado e quer encontrar seus amigos e consegue dizer para eles por telefone que está na praça tal e seus amigos sabem onde fica e estão perto (depois de terem andando pra caralho pra chegar até o bairro), você espera na praça. Mas não.
O tempo todo o telefone do Clément tocava e eu o ouvia perguntando em francês "mas vocês estão onde? indo pra onde? você sabe me dizer o nome da rua? tounette? fournette? journette? xounette?" e por aí vai. Clément não é a pessoa mais paciente do mundo, mas ele estava lidando bem com a situação. Eu queria gritar de frustração e pedir pra ir embora, mas eu achava que o Clément queria mesmo encontrar o Nico, afinal, já andamos tanto, eu não via ele já fazia dois anos, poderia ser legal, não custava nada tentar mais um pouco, o metrô já havia parado de funcionar então não tinha motivos para ter pressa e blá blá blá.
Depois de mais uma ligação e perceber que o Clément falava com pessoas diferentes porque um estava mais bêbado que o outro para explicar onde eles estavam, apesar do meu mau francês percebi que o ele combinava com uma menina na outra linha que eles esperariam nós chegarmos na rua X para então ir procurar um bar. Finalmente. Lá vamos nós e mais uma epopéia se inicia. Procuramos um mapa, pedimos informações, andamos e chegamos à rua correta. E nada deles lá. Clément liga para o número do Nico e fala com outra menina, também bêbada, e eles dão o nome de uma rua pela qual eles estão passando, pois estão se movendo. Cerro meus dentes e olho para o Clément com meu melhor olhar de que porra é essa. Assim que a ligação termina, eu digo que estou de saco cheio e quero voltar pra casa.
Fazia meia hora que estávamos caminhando desde que decidimos voltar para casa e não conseguíamos encontrar bicicletas. Pior, conseguíamos encontrar as bicicletas mas quando tentávamos aluga-las o sistema não reconhecia que elas estavam lá mesmo se elas claramente estavam. Íamos andando de estação em estação encontrando bicicleta nenhuma ou bicicletas invisíveis no sistema. Eu não aguentava mais caminhar e tínhamos ainda uns bons 30 minutos pela frente. Reclamei muito de dor nos pés e então fiquei em silêncio, por estar cansada, frustrada, com dor, com sono.
Meu namorado odeia minhas reclamações mas quando chega ao ponto de eu parar de reclamar por causa do problema pelo qual estava reclamando, ele fica preocupado e tenta resolver o problema, me distrair, me fazer rir ou, na pior das hipóteses, respirar sem fazer barulho pra não dar motivos pra eu me irritar.. Pediu pra eu esperar numa esquina enquanto ele corria até uma quadra fora do nosso caminho para ver se tinha alguma bicicleta disponível na estação que tinha lá, perguntou várias vezes se eu não queria que ele me carregasse um pouco e insistiu que ele conseguiria e que não tinha problema nenhum quando eu recusei agradecendo.
Cada passo é o inferno na terra mas de alguma maneira chegamos à estação de metrô Charpennes ilesos e batendo papo. Paramos no Mc Donald's, sento em uma das mesinhas com a sujeira que tenho certeza que foram jovens bêbados que fizeram enquanto ele fica na fila atrás dos bêbados esperando para pedir dois hambúgers numa madrugada fria de um sábado a noite em dezembro. Viro e olho pra ele, que eu conheço tão bem e amo tanto e ele me manda um beijo.
Um cara mal encarado passa por mim e pergunta se eu tenho seda para fumar, não entendo o que ele fala mas percebo o que ele quer pelo movimento que ele faz com as mãos, como se estivesse bolando um baseado. Digo que não, peço desculpas e logo depois o Clément senta do meu lado com o pacotinho do Mc Donald's. Abro, pego meu hamburger e começo a comer mais rápido que um mendigo esfomeado faria.
- Muito obrigada pelo hamburger, meu herói - digo com a boca cheia.
- De nada, ele responde rindo.
Comemos e tentamos pegar bicicletas novamente, mesmo estando perto de casa. Na primeira estação pegamos uma bicicleta mas o pneu está muito vazio e não seria possível andar com ela, vamos até a segunda levando a bicicleta, devolvemos, pegamos outra, notamos que não tem um dos pedais, devolvemos e na hora de pegar outra o ticket que acabamos de comprar não funciona. É a quinta, talvez sexta estação de bicicleta que tentamos, a noite nunca havia sido tão longa, estamos cansados, com sono, com dor nas pernas e - principalmente, oh deus - nos pés e a porra do ticket não funciona. O Clément tenta mais uma vez, com o pulso cerrado e mais uma vez o monitor nos acusa, ri de nós, se diverte às nossas custas.
O Clément grita, amassa o ticket, dá dois socos no monitor e um chute no pneu de uma das bicicletas.
Ele não é do tipo violento, mas às vezes se irrita com alguma coisa - a internet falhando quando ele tá tentando assistir ao jogo dele pela internet, por exemplo - e acaba fazendo alguma coisa não inteligente para extravasar a raiva - pegar uma cadeira e jogar na parede, por exemplo. Quando isso acontece eu fico meio apreensiva, sem saber o que fazer. Mas geralmente me dá uma vontade incontrolável de rir, o que acaba piorando a situação.
- Esses filhos da puta! A gente paga por um serviço e acaba nem conseguido a merda pela qual a gente acabou de pagar. Será que não dá pra fazerem uma coisa direito?! - ele pergunta não gritando mas também não falando com seu tom normal, sem raiva. Ele está claramente puto e de alguma forma é engraçado e sexy. Me da vontade de rir e abraça-lo falando tudo bem, tudo bem, já passou.
Após comprar outro ticket podemos finalmente pegar uma bicicleta e voltamos pra casa, eu andando de bicicleta e ele andando. Por uma ação dos anjos aos acharem que já haviamos tomado no cu o suficiente naquela noite, havia um lugar para devolver a bicicleta na estação de velo-v. Pelo menos isso, pensamos os dois. Se não houvesse lugar naquela estação teríamos que andar até outra, nos distanciando de casa e talvez não tivesse lugar nessa outra estação também e eu não queria nem pensar nisso e já que encontramos lugar na estação na esquina de casa, graças a deus eu não precisava.
segunda-feira, 4 de março de 2013
Para Clément
O maior motivo de eu gostar tanto de usar a internet é que de tempos em tempos acabo encontrando coisas muito bonitas e encantadoras. Pode ser uma foto, um texto, uma ideia, um amigo, um livro, uma música. Eu encontro uma coisa bonita e me sinto tão bem, tão inspirada. Como se, de repente, eu soubesse quem eu sou. Uma vez li uma frase que dizia que nós somos um amontoado de coisas, o que nós gostamos, o que nos faz sentir bem, mal, excitados, os livros que a gente ama, as músicas que nos fazem ficar arrepiados. E sinto como se, quando eu encontrasse essas coisas bonitas com as quais me identifico, eu fosse descobrindo quem sou, quem quero ser, como me expressar ou pelo menos com o que me emocionar. A sensação de encontrar um texto que diz exatamente o que sinto ou penso é maravilhosa. É ótimo ler esses textos, ouvir essas músicas, falar com pessoas parecidas com você, mesmo que morem do outro lado do mundo, e perceber que não estou sozinha. Que existem bilhões de pessoas com bilhões de necessidades e bilhões de razões pra continuar seguindo em frente. Sempre que me sinto pra baixo, penso em todas as pessoas incríveis que posso encontrar pelas esquinas da vida se eu continuar. Então eu continuo.
Um dos textos com os quais já me identifiquei muito é do Bukowski. Ele diz que o amor é uma espécie de preconceito. Que a gente ama o que precisa, o que faz sentir bem, o que é conveniente. Ele pergunta como podemos dizer que amamos uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que amaríamos mais se conhecêssemos? Mas a gente nunca conhece. Isso faz todo o sentido do mundo. Quando paro pra pensar nas relações de "amor" em minha volta, vejo que as pessoas amam o que precisam, o que as fazem sentir bem, o que é conveniente. Então paro pra pensar em minhas próprias relações de amor e vejo algo que não queria ver. Bukowski tinha razão. Ele estava certo, e todos nós sabemos disso.
Tendo isso em mente, algumas pessoas resolvem fazer mudanças, assim como eu resolvi. E é por isso que tô te escrevendo isso. Quando você apareceu na minha vida eu nunca imaginaria que você ia se tornar essa coisa grande e importante que você se tornou. Como Caio Fernando Abreu escreveu, você chegou pequenininho e acabou crescendo e ocupando a casa inteira. Antes de você entrar por aquela porta, eu tinha decidido que só ia entrar na minha vida e no meu coração quem eu realmente sentisse que podia amar. Eu não queria tapar buracos, substituir pessoas ou ter alguém com quem passar meu tempo livre. Então você me olhou com seus olhos grandes e lindos com carinho e eu senti que talvez pudesse entrar nesse barco, mesmo que ele estivesse furado.
Um dos textos com os quais já me identifiquei muito é do Bukowski. Ele diz que o amor é uma espécie de preconceito. Que a gente ama o que precisa, o que faz sentir bem, o que é conveniente. Ele pergunta como podemos dizer que amamos uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que amaríamos mais se conhecêssemos? Mas a gente nunca conhece. Isso faz todo o sentido do mundo. Quando paro pra pensar nas relações de "amor" em minha volta, vejo que as pessoas amam o que precisam, o que as fazem sentir bem, o que é conveniente. Então paro pra pensar em minhas próprias relações de amor e vejo algo que não queria ver. Bukowski tinha razão. Ele estava certo, e todos nós sabemos disso.
Tendo isso em mente, algumas pessoas resolvem fazer mudanças, assim como eu resolvi. E é por isso que tô te escrevendo isso. Quando você apareceu na minha vida eu nunca imaginaria que você ia se tornar essa coisa grande e importante que você se tornou. Como Caio Fernando Abreu escreveu, você chegou pequenininho e acabou crescendo e ocupando a casa inteira. Antes de você entrar por aquela porta, eu tinha decidido que só ia entrar na minha vida e no meu coração quem eu realmente sentisse que podia amar. Eu não queria tapar buracos, substituir pessoas ou ter alguém com quem passar meu tempo livre. Então você me olhou com seus olhos grandes e lindos com carinho e eu senti que talvez pudesse entrar nesse barco, mesmo que ele estivesse furado.
O tempo passou e enquanto ele se arrastava, eu nunca deixei de te amar. Sempre tive a noção de que existem outras 7 bilhões de pessoas no mundo e que pelo menos 10 mil delas poderiam me fazer muito feliz, caso eu as encontrasse, mas isso não tinha importância, porque quando eu acordava era em você que eu pensava, quando eu deitava pra dormir era você que eu desejava que aparecesse do nada e me abraçasse e falasse palavras de amor no meu ouvido. Sempre mantive o pensamento de que eu não ficaria com você porque seria mais fácil, mais confortável. Até porque não era. Você sabe tão bem quanto eu como foi difícil.
Eu só queria te dizer que não quero estar com ninguém simplesmente porque é fácil e confortável e que se um dia você sentir que a única razão de você estar comigo é costume ou algo do gênero, eu prefiro ficar sem ninguém. Porque não seria justo comigo e nem contigo. Existem 7 bilhões de pessoas nessa ilha. Tem muitas coisas que a gente pode fazer, muitas pessoas que podemos encontrar e muitos lugares que podemos conhecer. E não quero nada menos do que amor de verdade pra mim ou pra você.
Enquanto pudermos oferecer isso um para o outro, vamos estar muito bem, assim como estamos agora. Nós temos nossos desentendimentos, mas isso é tão normal quando a gente gosta de alguém tanto quando gostamos um do outro. Eu sei que isso não ficou nem um pouco claro, mas espero que você tenha entendido que essa é minha forma de dizer que te amo muito, me importo contigo, to com você porque realmente te amo e quero sempre que você pense nas possibilidades maravilhosas que temos pra viver, juntos ou separados.
Eu só queria te dizer que não quero estar com ninguém simplesmente porque é fácil e confortável e que se um dia você sentir que a única razão de você estar comigo é costume ou algo do gênero, eu prefiro ficar sem ninguém. Porque não seria justo comigo e nem contigo. Existem 7 bilhões de pessoas nessa ilha. Tem muitas coisas que a gente pode fazer, muitas pessoas que podemos encontrar e muitos lugares que podemos conhecer. E não quero nada menos do que amor de verdade pra mim ou pra você.
Enquanto pudermos oferecer isso um para o outro, vamos estar muito bem, assim como estamos agora. Nós temos nossos desentendimentos, mas isso é tão normal quando a gente gosta de alguém tanto quando gostamos um do outro. Eu sei que isso não ficou nem um pouco claro, mas espero que você tenha entendido que essa é minha forma de dizer que te amo muito, me importo contigo, to com você porque realmente te amo e quero sempre que você pense nas possibilidades maravilhosas que temos pra viver, juntos ou separados.
Se eu digo que te amo, é porque eu realmente quero dizer isso.
Se eu to contigo, é porque realmente te amo e sei que podemos ser felizes juntos.
Talvez você seja uma das minhas 10 mil pessoas. E "diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você."
Je t'aime.
Se eu to contigo, é porque realmente te amo e sei que podemos ser felizes juntos.
Talvez você seja uma das minhas 10 mil pessoas. E "diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você."
Je t'aime.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Eu sempre tive a necessidade de saber o quem eu sou, de me encaixar em algum lugar na minha cabeça. Não tinha nada mais aterrorizante que parar pra pensar nas coisas e não ter onde me encaixar, não ter um passado pra contar, uma pessoa pra ligar, um futuro pra sonhar. Eu precisava dessa segurança.
Há anos atrás, eu era a namorada de fulano. Eu estava com ele e me sentia bem. Quando acabou, comecei a me perguntar o quem eu era. Era Ana. Que Ana? A Ana que estuda em tal colégio. A Ana sem um plano pro futuro. A Ana sem emprego, sem colo, sem canudo, sem amigos, sem nada. O tempo passou e eu era a Ana lutando por um lugar no mundo. Depois fui a Ana fracassada. Então fui a Ana estudante de serviço social. Parti pra namorada de ciclano. Não queria mais aquela rotina pra mim, não sabia o que fazer com a minha vida, acho que nunca vou saber, então larguei tudo e minha nova rotina passou a ser fazer planos com e sobre ele, pensar nele, conversar com ele. Eram apenas sonhos.
Eu vivia no mundo da lua com um botão repeat no lugar do cérebro e fazia tudo em piloto automático Achava que era feliz. Talvez fosse. Agora vejo as coisas com olhos diferentes, mas continuo sem ter meu lugar no mundo, sou a Ana de nada.
A gente vive a vida sendo rasos, pensando em problemas inexistentes, atrás de maus orgasmos, desejando uma cerveja no fim da semana pra estar lá desejando estar em casa, e quando acontece alguma coisa que acorda a gente e faz a gente mergulhar e ver como os problemas são outros, que o que a gente ouviu foi mentira e que nada estava certo é que a gente vê como é fraco. Que a esperança vem só pra depois ir embora. Que não adianta se apaixonar e ficar feliz e sonhar com um futuro bom quando a outra pessoa é ainda mais rasa que você e tem o coração leviano. A gente não é nem enganado, a gente se engana. Então a gente vive dentro de uma bolha crente de que é aquilo o que a gente quer, que era aquilo o que a gente buscava e que com aquilo nós seremos felizes. Mas a bolha estoura e a verdade é jogada na cara da gente.
Nada faz sentido.
Há anos atrás, eu era a namorada de fulano. Eu estava com ele e me sentia bem. Quando acabou, comecei a me perguntar o quem eu era. Era Ana. Que Ana? A Ana que estuda em tal colégio. A Ana sem um plano pro futuro. A Ana sem emprego, sem colo, sem canudo, sem amigos, sem nada. O tempo passou e eu era a Ana lutando por um lugar no mundo. Depois fui a Ana fracassada. Então fui a Ana estudante de serviço social. Parti pra namorada de ciclano. Não queria mais aquela rotina pra mim, não sabia o que fazer com a minha vida, acho que nunca vou saber, então larguei tudo e minha nova rotina passou a ser fazer planos com e sobre ele, pensar nele, conversar com ele. Eram apenas sonhos.
Eu vivia no mundo da lua com um botão repeat no lugar do cérebro e fazia tudo em piloto automático Achava que era feliz. Talvez fosse. Agora vejo as coisas com olhos diferentes, mas continuo sem ter meu lugar no mundo, sou a Ana de nada.
A gente vive a vida sendo rasos, pensando em problemas inexistentes, atrás de maus orgasmos, desejando uma cerveja no fim da semana pra estar lá desejando estar em casa, e quando acontece alguma coisa que acorda a gente e faz a gente mergulhar e ver como os problemas são outros, que o que a gente ouviu foi mentira e que nada estava certo é que a gente vê como é fraco. Que a esperança vem só pra depois ir embora. Que não adianta se apaixonar e ficar feliz e sonhar com um futuro bom quando a outra pessoa é ainda mais rasa que você e tem o coração leviano. A gente não é nem enganado, a gente se engana. Então a gente vive dentro de uma bolha crente de que é aquilo o que a gente quer, que era aquilo o que a gente buscava e que com aquilo nós seremos felizes. Mas a bolha estoura e a verdade é jogada na cara da gente.
Nada faz sentido.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Os anos se passam e não deixam marcas. Me olho no espelho e me vejo diferente, mais velha. Mas com nada a acrescentar. Nenhuma história, nenhuma aventura. Não fiz nada do que queria fazer. Não planejei. Não tive coragem. Usei desculpas. Aprendi que o tempo passa e não espera ninguém, que fazer uma viagem vale mais que comprar roupas, que não tem nada de errado em usar calça jeans com chinelos e mostrar meus pés feios. Percebi que as pessoas mudam e os colegas fazem falta para tomar uma cerveja no fim do dia, mas que os amigos de verdade pra quem a gente corre moram do outro lado do mundo e é necessário sempre manter contato. Fiquei sabendo que a pessoa que mais pensou em mim e mais quis meu bem foi a que nunca me ligou. Finalmente aceitei que as coisas nunca serão como eu quero, que nunca vou ter a aparência que desejo e que quando eu finalmente conseguir subir aquela montanha para ter uma vista de tirar o ar vou reclamar de como estou cansada, ou que quando eu finalmente conseguir ir àquele show inesquecível vou reclamar dos meus pés doloridos, do calor e me preocupar com a passagem de volta pra casa. Porque geralmente tudo o que eu quero é estar de volta e me enfiar embaixo das cobertas. Acreditei que ia fazer tudo amanhã, semana que vem, mês que vem. E não fiz. E mais anos passaram. Acho que perdi minha chance. Mas outras virão. Vou tentar mudar. Juntar dinheiro. Aprender outros idiomas. Ver coisas bonitas que vão me deixar sem ar e trazer lágrimas aos meus olhos. Trabalhar. Fazer planos. Não adiar. Não arrumar desculpas. Ser a senhora do meu próprio destino. Começo amanhã. Ou semana que vem. Ou mês que vem. Sei lá.
Dentre tantas coisas que posso e quero fazer durante minha vida, todas as pessoas que conheci e esqueci, todos os sonhos que tive e todas as desculpas que usei para não realizá-los, todas as vezes que percebi que havia sentimentos ruins e injustos em mim e tentei mudar, está meu ódio por você. Se trata de um ódio irracional e que não consigo jogar fora, é como se ele estivesse enraizado em mim, é um ódio que eu sei que é errado, mas que não consigo deixar de sentir. Logo eu, que nunca odiei ninguém, nem quem me fez mal, nem quem mereceu. Eu apenas me preocupava com a minha vida e tentava fazer o melhor que eu podia fazer, então você apareceu e meu maxilar e meus punhos se fecharam. É um ódio que me faz querer te xingar sem nem saber muitas coisas sobre você, é um ódio que me faz desprezar todas as coisas que você faz, é um ódio que me faz desejar que você nunca saia do lugar. É um ódio terrível, que faz mal pra mim e não faz pra você, o que me faz ter ainda mais ódio de você. Ódio do que você faz, do que você escreve, de onde você vai, do chão que você pisa, dos seus sapatos, do que você estuda, das bocas que você beija, do seu cabelo, das suas roupas, do seu corpo, dos seus olhos, da sua casa, das suas lembranças, das suas unhas, dos seus pensamentos, do seu jeito de cantar. Tenho ódio das coisas que você tem e eu não tenho, ódio das coisas que você não tem e eu tenho. Ódio das lembranças e do vínculo que você tem com a pessoa que eu amo, ódio de ter havido sua presença em uma cama que eu deitei e ouvi alguém dizer que me amava. Ódio do seu jeito leviano, de como você ama alguém diferente a cada três meses, de como você consegue ser vazia. Ódio de mim por te odiar, por não conseguir esquecer.
A gente passa vida inteira guardando mágoas e antes que a gente perceba, acabamos colocando o objeto de ódio em um poço no nosso porão. Mas manter alguém preso em um poço imaginário no porão consome energia, tempo e quando a gente percebe a gente teve que parar de viver só pra fazer alguém que nos magoou infeliz. Eu tento tirar você do meu poço, mas não consigo. Eu tento cobrir o poço, encher ele com terra, jogar uma escada pra você sair e pedir pra você ficar longe de mim. Mas meu ódio não deixa. Eu vejo as coisas que você tem e eu não. As lembranças que você carrega. A mágoa que você implantou no meu peito, mesmo sem ter culpa. E decido te afogar no poço e deixar seu corpo lá pra sempre. Então vejo que se eu te afogar, estarei afogando a mim mesma. E tento te tirar do poço de novo.
Um dia eu consigo.
A gente passa vida inteira guardando mágoas e antes que a gente perceba, acabamos colocando o objeto de ódio em um poço no nosso porão. Mas manter alguém preso em um poço imaginário no porão consome energia, tempo e quando a gente percebe a gente teve que parar de viver só pra fazer alguém que nos magoou infeliz. Eu tento tirar você do meu poço, mas não consigo. Eu tento cobrir o poço, encher ele com terra, jogar uma escada pra você sair e pedir pra você ficar longe de mim. Mas meu ódio não deixa. Eu vejo as coisas que você tem e eu não. As lembranças que você carrega. A mágoa que você implantou no meu peito, mesmo sem ter culpa. E decido te afogar no poço e deixar seu corpo lá pra sempre. Então vejo que se eu te afogar, estarei afogando a mim mesma. E tento te tirar do poço de novo.
Um dia eu consigo.
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