segunda-feira, 15 de maio de 2017

2011


Janeiro, sorrio numa barca em alto mar voltando de Superagui cantarolando Novos Baianos.
Fevereiro, choro mandando mensagem pra Carlota porque nada em 2010 foi como eu esperava e enquanto todo mundo estava com o futuro garantido eu teria que prestar vestibular. De novo. 
Março, percebo que não tenho trabalho, namorado, dinheiro e não faço faculdade como a maioria das pessoas da minha idade. Completo 19 anos. Decido tirar a habilitação. Faço minha primeira tatuagem.
Abril, faço minha inscrição no vestibular da Universidade Federal do Paraná para o curso de Serviço Social e decido que vou estudar. Não estudo.
Maio, faço a prova do vestibular e tiro nota inferior à do ano passado. Choro porque acredito que não vou passar.
Junho, sou convocada para a segunda fase e choro de alívio.  Faço a prova com 5 redações e choro porque só escrevi besteira.
Julho, o resultado do vestibular é divulgado e choro de alívio por ter passado. Mas fiquei feliz sozinha. Ninguém compartilha esse momento comigo. Meu irmãozinho completa 2 aninhos.
Agosto, começam as aulas. Acredito que minha vida vai melhorar e tudo será um mar de rosas. Greve na universidade. Pessoas ignorantes recebendo aplausos. Universitários exclamando que se os técnicos estão com problemas o problema é deles e que querem aula. 
Setembro, viajo com a universidade para Porto Alegre e conheço a Umáyra. Decido que um dia irei morar lá. Percebo que ser feliz ou não é só uma questão de onde estou e com quem. Fui feliz lá. (Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.)
Outubro, passo no exame prático de moto e me sinto aliviada. Faço algumas amizades. Finalmente aprendo a jogar sinuca. 
Novembro, choro de desespero porque o ano o ano está acabando, estou indo mal na universidade, não tenho dinheiro, não tenho trabalho, não tenho namorado, o exame prático de carro é amanhã e não lembro como faz baliza, não li os livros que queria, não assisti todos os filmes que queria, fui pouco ao teatro, viajei de menos, reclamei demais e não tem suco na geladeira. 
Dezembro, sorrio numa barca em alto mar indo para Superagui cantarolando uma música agradável. Pouso para uma foto na praia. Fico bêbada quase todos os dias. Acordo ouvindo o canto dos pássaros. Sinto um aperto aqui dentro porque mais um ano vai embora e outro vem. Choro porque a Carlota vai embora, choro porque não fiz as coisas que deveria ter feito. Lembro que na mesma época disse na fogueira pro Dani que não consegui nada do que queria em 2010 e que o ano de nada me valeu e então ele disse que conquistei muitas coisas, mas não as que queria e que os planos sempre mudam. Desejo feliz 2012 para desconhecidos, deito na areia da praia, olho as estrelas e sinto como se meu peito fosse explodir de tanto amor. 


This too shall pass

 Eu nao sei sentir a tristeza. Quando ela chega, nem percebo que o que estou sentindo é tristeza. Quando tento identificar o que estou senti...