quinta-feira, 17 de maio de 2018

Às vezes acontece. O momento temido chega, trazendo a realização de que não tem pra onde correr, o que fazer, um motivo pra sorrir, qualquer coisa que faça você se distrair de tudo que está dentro de você, bem no fundo. Em um ato de desespero você abre novamente a aba que havia acabado de fechar, a aba que você havia fechado justamente porque estava entediado, e esse mesmo tédio faz você abrir a aba novamente, sem nem perceber, de forma totalmente automática. 
Enquanto a página carrega, só então você se dá conta de que não está acessando aquele site porque é algo que você deseja fazer, e percebe que você está simplesmente se distraindo de si mesmo. Você percebe que O momento está chegando.
Você não quer ter pensamentos profundos, negativos e exaustivos justo agora, não são nem 3 horas da tarde de uma quinta-feira, o planeta está girando, as pessoas que você conhece estão vivendo, há coisas acontecendo, e você não quer perceber de repente que nada na sua vida faz sentido. 
Há cinco minutos você era capaz e estava contente em ignorar e reprimir as questões que te assolam pensando em coisas corriqueiras. Mas às vezes acontece, você já está bem ciente disso. Às vezes o momento temido chega, e ele havia chegado. Acontece. Você respira fundo e sente um leve desespero pensando em como não sabe lidar com o que está por vir. 
Não é como se você não tentasse analisar a situação, entendê-la e criar ferramentas para lidar com elas. Você tentava muito, com a maior boa vontade e uma atitude positiva, sem se deixar abater pelas batalhas que perdia. Há muitas coisas subjetivas na vida, e na morte também se você parar pra pensar nisso, e agora você para por uns segundos pra pensar nisso porque como poderia não pensar na morte já que os pensamentos sobre o quão insignificante você é estavam começando a chegar com força total, não é? Mas a verdade é que os fatos são objetivos e era necessário encará-los, e os fatos eram que em 30 anos de vida você tinha mais batalhas perdidas do que ganhas, e que pouco importava tentar analisar esses momentos, entendê-los e criar ferramentas para lidar com eles. 
Independente do quão bem ou o quão rápido você levantasse após Os momentos, eles continuavam derrubando você. Como uma pessoa desprovida de guarda-chuva que via uma forte tempestade chegar, você simplesmente aceita e pensa na situação, no que está prestes a ocorrer, com frustração e um pouco de mágoa. Não era justo. Nesses momentos você olha o emaranhado de fios tentando de verdade encontrar o início e o fim para desembaraçá-lo e entendê-lo, mas ele vai ficando cada vez maior e mais difícil de resolver. 
O pior de tudo? Ele vem de dentro de você. 

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Acordei de saco cheio. Antes mesmo de abrir os olhos, já pensava nos problemas e nos pensamentos que se repetiam na minha cabeça há dias. Preparar e aproveitar o café-da-manhã no geral é algo que me anima e me traz de volta para o Agora. Eu espero a água ferver. Fico feliz ao ver que tenho pó de café. Passo margarina em uma fatia de pão deliciosa, aquele que tem pedaços de castanhas. Coloco o pão na frigideira. A água ferve. Viro a fatia de pão. Coloco a água no pó de café e então acontece, um dos meus momentos favoritos do dia: A fumaça começa a subir, o café começa a cair na minha xícara - presente do meu namorado, diz "bom dia linda!" - e o cheiro de café recém passado me envolve como se o universo estivesse me dando beijinhos de esquimó na minha existência inteirinha. Coloco a fatia de pão agora deliciosamente tostada no prato, e aproveito a frigideira para fazer um ovo mexido. Fico feliz porque tenho ovos, e porque a data de validade está equilibrada com os dias que levarei para consumi-los. Quebro o ovo e ele cai perfeitamente na frigideira. Pego morangos na geladeira, e fico tão feliz por ter comprado morangos! Corto três e coloco no prato ao lado do meu pão tostado com castanhas. O ovo fica pronto, e o jogo em cima do meu pão tostado com castanhas. Pego minha colherinha verde, coloco na minha xícara rosa com os dizeres "bom dia linda!" e despejo um gole de leite desnatado em cima do café, transformando o liquido amoroso em uma cor que não é nem preto, nem cinza, marrom, nem bege. É cor de café bem forte com apenas um gole de leite. Pego um garfo, meu prato com meu pão tostado com castanhas e ovo mexido e morangos, minha xícara com café bem forte com apenas um gole de leite e minha colherinha verde, e levo tudo até a mesa. 

Sento na cadeira olhando a forma como o sol entra na sala e faz sombra na mesa, iluminando minhas flores de antúrios que apelidei de Ortência Berenice. Ouço pássaros. Respiro fundo. Aproveito meu café-da-manhã. E então volta. Ugh. Os problemas e os pensamentos que se repetiam na minha cabeça há dias. Se ao menos meus dias fossem um café-da-manhã sem fim... 

Tento focar e ficar no Agora. O que passou já não interessa, o que virá ainda não chegou, e meus problemas e pensamentos estão ou atrasados ou adiantados e não adianta perder o agora pensando e me preocupando com o que não posso mudar. Ficar no Agora é exaustivo e frustrante, mas quando acontece, quando sinto aquele arrepio, quando percebo um sinal, quando vejo números iguais no celular, quando me deparo com algo realmente lindo, quando ouço aquele canto de um passarinho, o Agora chega e traz tanta paz. 

Faço minhas atividades tentando me conectar comigo mesma e com o momento, mas a mente sempre dá voltas. De repente estou naquela discussão com uma colega da faculdade que aconteceu há um mês, ou estou pensando em como vai ser estressante dar uma palestra que vai acontecer em duas semanas. Porra, Ana! Foca no Agora! 

Lavo a louça, lavo roupa, varro o chão, arrumo meus livros, faço as unhas, tiro as sobrancelhas, esfolio o rosto, faço hidratação no cabelo, tomo banho, vou ao mercado. Saindo do mercado, após andar pelos corredores com a maior paz, pegando os produtos que me convinham, senti ela de novo. A paz de estar no Agora. Parei por um momento no estacionamento do supermercado. Olhei em volta, e olhei pra cima. Que lindo! 

Sinto o sol na minha pele, me aquecendo de fora pra dentro. Mas também há algo me aquecendo de dentro pra fora. Noto o céu azul, os pássaros voando, a vida em qualquer direção, por quilômetros e quilômetros, apenas existindo, os sons do planeta, as vibrações do universo; o passado não existe, o futuro não existe, só existe o Agora, só paz, só existe união, só existe gratidão... só existe... amor. 

Acho que agora eu entendi. 

This too shall pass

 Eu nao sei sentir a tristeza. Quando ela chega, nem percebo que o que estou sentindo é tristeza. Quando tento identificar o que estou senti...