Às vezes acontece. O momento temido chega, trazendo a realização de que não tem pra onde correr, o que fazer, um motivo pra sorrir, qualquer coisa que faça você se distrair de tudo que está dentro de você, bem no fundo. Em um ato de desespero você abre novamente a aba que havia acabado de fechar, a aba que você havia fechado justamente porque estava entediado, e esse mesmo tédio faz você abrir a aba novamente, sem nem perceber, de forma totalmente automática.
Enquanto a página carrega, só então você se dá conta de que não está acessando aquele site porque é algo que você deseja fazer, e percebe que você está simplesmente se distraindo de si mesmo. Você percebe que O momento está chegando.
Você não quer ter pensamentos profundos, negativos e exaustivos justo agora, não são nem 3 horas da tarde de uma quinta-feira, o planeta está girando, as pessoas que você conhece estão vivendo, há coisas acontecendo, e você não quer perceber de repente que nada na sua vida faz sentido.
Há cinco minutos você era capaz e estava contente em ignorar e reprimir as questões que te assolam pensando em coisas corriqueiras. Mas às vezes acontece, você já está bem ciente disso. Às vezes o momento temido chega, e ele havia chegado. Acontece. Você respira fundo e sente um leve desespero pensando em como não sabe lidar com o que está por vir.
Não é como se você não tentasse analisar a situação, entendê-la e criar ferramentas para lidar com elas. Você tentava muito, com a maior boa vontade e uma atitude positiva, sem se deixar abater pelas batalhas que perdia. Há muitas coisas subjetivas na vida, e na morte também se você parar pra pensar nisso, e agora você para por uns segundos pra pensar nisso porque como poderia não pensar na morte já que os pensamentos sobre o quão insignificante você é estavam começando a chegar com força total, não é? Mas a verdade é que os fatos são objetivos e era necessário encará-los, e os fatos eram que em 30 anos de vida você tinha mais batalhas perdidas do que ganhas, e que pouco importava tentar analisar esses momentos, entendê-los e criar ferramentas para lidar com eles.
Independente do quão bem ou o quão rápido você levantasse após Os momentos, eles continuavam derrubando você. Como uma pessoa desprovida de guarda-chuva que via uma forte tempestade chegar, você simplesmente aceita e pensa na situação, no que está prestes a ocorrer, com frustração e um pouco de mágoa. Não era justo. Nesses momentos você olha o emaranhado de fios tentando de verdade encontrar o início e o fim para desembaraçá-lo e entendê-lo, mas ele vai ficando cada vez maior e mais difícil de resolver.
O pior de tudo? Ele vem de dentro de você.
