quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Alô, terapia?

Essa semana, em meio à posts de Como Foi Seu Ano? e Como Ter Um 2019 Mais Feliz, eu li que devemos fazer o que planejamos, e não o que estamos afim de fazer. A princípio essa afirmação/dica/conselho/ideia me pareceu bem estranha, pois sou uma grande apoiadora dos movimentos Eu Faço O Que Tô Afim De Fazer, Tudo Bem Mudar De Ideia e Nunca Vou Me Forçar a Fazer Nada Que Eu Não Queira. Mas como também passei a conhecer e a apoiar os movimentos Nem Sempre Estou Certa e Há Muito Que Ainda Não Sei, ultrapassei a barreira que me impedia de entender o lado de quem divulgou a ideia, e comecei a refletir a respeito. Com um pé atrás, meio desconfiada, continuei a leitura. Basicamente a autoria do texto dissiminava a ideia que fazemos planos e desenhamos metas quando mais somos nós. Quando estamos saudáveis. Quando estamos focados. Quando não deixamos a grosseria da nossa vizinha acabar com a nossa tarde, quando não tivemos um péssimo dia de trabalho, quando não percebemos que o dinheiro já acabou mas o mês ainda não, quando não sentimos sintomas da depressão e da ansiedade. 
Nós decidimos, por livre e espontânea vontade, sendo 100% nós mesmos, que iríamos, sei lá, nos exercitar às segundas, quartas e quintas, deixar a terça para fazer aula de francês e a sexta pra sair com amigos. Fizemos esses planos pensando em metas e vontades que temos, em coisas que nos deixariam mais feliz, coisas que queremos de verdade fazer. Mas segunda-feira chega e a gente teve um dia difícil no trabalho, então é claro que a gente não tá afim de ir pra academia, ir correr ou simplesmente fazer 50 squats em casa. A gente se gosta e se cuida, e por isso a gente merece assistir cinco episódios seguidos de Friends, pedir pizza e tomar sorvete, certo? 
Tivemos um dia difícil, algo nos chateou, o mundo está uma bosta, ainda não recebemos o reconhecimento que merecemos por sermos as pessoas que somos, nossa família está brigando entre si, alguém nos rejeitou, não conseguimos entrar na pós que queríamos, perdemos nosso emprego, brigamos com nosso cônjugue, pegamos chuva, pisamos no cocô de um cachorro, perdemos o ônibus, passamos frio na rua esperando o próximo ônibus chegar, esquecemos de devolver o livro na biblioteca, perdemos dinheiro, perdemos o vencimento de uma conta importante, o carro quebrou, a aula mudou de sala e ninguém te avisou... e o mundo gira. 
É claro que em algumas situações não só é aceitável como é indicado que tiremos tempo para nós mesmos, e que descansemos da rotina. Mas é preciso refletir sobre tudo, exatamente tudo, que fazemos, pensamos, acreditamos. Sei que às vezes não queremos pensar, apenas queremos comer a lata inteira de Pringles, desmarcar um compromisso que marcamos com amigos, nos isolar e simplesmente ficar na merda. Mas é preciso refletir. 
Por que fazemos o que fazemos? Por que engordei 10kg em um ano enquanto estava em um péssimo emprego? Oras, porque eu tinha dias e semanas bem difíceis, portanto eu merecia comprar salgadinho, gummy bears e Pringles pra assistir um filme em casa. Sozinha. Desmarcando compromissos. Ignorando as pessoas que me amam. Ignorando a mim mesma. Era mais fácil fazer isso do que olhar pra dentro, do que refletir sobre o que estava realmente acontecendo. 
É muito fácil pra mim olhar as situações do passado e ver onde errei, onde deveria ter feito diferente. Sem julgamentos. Sei que fiz o que melhor que eu podia naquela época. Mas hoje é meu dever fazer diferente. Só que olha só... Justamente por eu entender essas coisas hoje em dia, eu me engano e convenço a mim mesma que agora eu não faço mais isso, que se eu não me exercitar é porque eu realmente não tinha condições, se eu comer muita pizza é porque eu realmente estava com muita vontade, uma vontade saudável, que se eu faltar todas as aulas de francês e acabar desistindo do curso na verdade estou praticando o auto-cuidado porque só eu sei o peso da carga mental que estou carregando então preciso tomar algumas decisões que não são tão boas de vez em quando... 
Como fazer pra saber o que é verdade? O que é demais? O que é de menos? 
Alguém me pague terapia! 

This too shall pass

 Eu nao sei sentir a tristeza. Quando ela chega, nem percebo que o que estou sentindo é tristeza. Quando tento identificar o que estou senti...