Janeiro, sorri numa barca em alto mar voltando de Superagui cantarolando Novos Baianos.
Fevereiro, chorei mandando mensagem pra Carlota porque nada em 2010 foi como eu esperava e enquanto todo mundo estava com o futuro garantido eu teria que prestar vestibular. De novo.
Março, percebi que não tinha trabalho, namorado, dinheiro e não fazia faculdade como a maioria das pessoas da minha idade. Completei 19 anos. Decidi tirar a habilitação. Fiz minha primeira tatuagem.
Abril, fiz minha inscrição no vestibular da Universidade Federal do Paraná para o curso de Serviço Social e decidi que iria estudar. Não estudei.
Maio, fiz a prova do vestibular e tirei nota inferior à do ano passado. Chorei porque acreditei que não passaria, não era capaz e teria que aprender a fazer pulseiras para sobreviver e então chorei mais ainda porque lembrei que sou péssima com essas coisas e morreria de fome.
Junho, fui convocada para a segunda fase e chorei de alívio. Fiz a prova com 5 redações e chorei porque só escrevi besteira e fiz cagada.
Julho, o resultado do vestibular foi divulgado e chorei de alívio por ter passado. Acreditei que as coisas iriam melhorar. Meu irmãozinho fez 2 aninhos.
Agosto, comecei a ter aula. E então veio a greve.
Setembro, viajei com a universidade para Porto Alegre e conheci a Umáyra. Decidi que um dia irei morar lá. Percebi que ser feliz ou não é só uma questão de onde estou e com quem (fui feliz lá!) e que mais vale uma viagem que mil carros ou sapatos. (Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.)
Outubro, passei no exame prático de moto e me senti aliviada. Conheci melhor algumas colegas da sala e até arrisquei uns abraços. Aprendi a jogar sinuca.
Novembro, chorei de desespero porque o ano estava acabando, estava indo mal na universidade, não tinha dinheiro, não tinha trabalho, não tinha namorado, não havia lido os livros que queria, não havia assistido todos os filmes que queria, viajei de menos, reclamei demais e por qualquer coisa.
Dezembro, contei os dias para ir pra Curitiba. Me apaixonei. Aproveitei os dias com a Carlota. Chorei voltando pra casa.
Sinto um aperto aqui dentro porque mais um ano vai embora e outro vem e muitas coisas vão mudar. Lembro que na mesma época disse na fogueira pro Dani que não consegui nada do que queria em 2010 e que o ano de nada me valeu e então ele disse que conquistei muitas coisas, só que não as que eu esperava. Desejo feliz 2012 para desconhecidos, deito na areia da praia, olho as estrelas e sinto como se meu peito fosse explodir com o coração batendo como se fosse vitamina.
E choro.